Para entender melhor essa reportagem, pode ser necessário explicar alguns termos-chave que usaremos ao longo do texto.

O movimento trans parte do princípio de que gênero é uma expressão da identidade. Nessa perspectiva, a identidade de gênero independe do sexo biológico.

 

De acordo com as “Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e termos” de Jaqueline Gomes de Jesus, uma pessoa tem o seu gênero designado no nascimento conforme o seu genital, no entanto, isso não impede que ela se sinta pertencente a outro gênero ou a nenhum deles.

O prefixo cis vem do latim e significa "no mesmo lado de", portanto: quem nasce com um pênis e se identifica como um homem, assim como quem nasce com uma vagina e se identifica como uma mulher, é cisgênero.

O prefixo trans também vem do latim e significa "em troca de", portanto: quem se identifica com um gênero diferente do qual foi designado no nascimento, ou nenhum gênero é transgênero.

 

Laerte Coutinho, cartunista

A travesti no Brasil é reconhecida por estereótipos difundidos pela mídia. Em geral, ela é retratada como uma prostituta hiper-sexualizada e marginal. Cabe exclusivamente a pessoa a decisão de se afirmar como mulher trans ou como travesti. É comum encontrar ativistas trans que se identificam como travestis no intuito de perfurar o sentido mais popular da palavra. Lembrando: deve-se tratar as travestis sempre no feminino. Essas nomenclaturas não se relacionam com a opção pela cirurgia transexualizadora.

 

Uma vez que a sociedade se divide entre a ideia binária do que é um homem e do que é uma mulher, aqueles e aquelas que se identificam com o espectro de gênero entre esses dois pólos ou fora deles são os não-binários.

Exemplo disso são identidades como genderqueer, genderfluid, 

genderneutral,

entre outras.

Dentro do grupo dos transgêneros, os transexuais se diferenciam por se identificar especificamente com o gênero oposto ao designado no nascimento. Sendo assim, as pessoas que nascem com um pênis e se identificam como mulheres, bem como as pessoas que nascem com vagina e se identificam como homens são transexuais. Elas podem ser homens trans ou mulheres trans.

Apropriação de papéís de gênero apenas por razões práticas (trabalho, recreação, arte, por exemplo) e não por identidade.

Trata-se de mulheres (drag kings) ou homens (drag queens) que, em geral, são cisgêneros e por meio de performances isoladas se expressam artisticamente ao utilizar estereótipos do gênero oposto ao designado no nascimento. No Brasil, essas pessoas também são conhecidas como transformistas.

Referente a homens heterossexuais em sua maioria que, dentro de casa, encontram satisfação emocional ou sexual momentânea ao se vestir de signos ditos femininos.

Imagens da Casa Susanna em Catskills, Nova Iorque - um refúgio para crossdressers norte-americanos durante a década de 1950.

(Reprodução: Casa Susanna, powerHouse - 2005)

O documentário Paris is Burning fala sobre a subcultura drag de Nova Iorque durante a década de 1980. Ele foi dirigido por Jennie Livingston e está disponível na íntegra pelo youtube.

O BuzzFeed fez uma reportagem em vídeo sobre a cultura dos Drag Kings e transformou suas repórteres em drag por um dia. Para assistir ao resultado é só dar o play acima.

Diferentemente do que se pensa, a identidade de gênero nada tem a ver com a sexualidade. A maneira como as pessoas pretendem se relacionar sexualmente não está ligada a como elas se identificam no espectro do gênero. Ou seja, uma mulher trans não é um "gay superlativo", assim como um homem trans não é uma "lésbica ao quadrado", entre outros. Pessoas trans podem ser heterossexuais, bissexuais, homossexuais, assexuais…